Mostrando postagens com marcador Meditação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Meditação. Mostrar todas as postagens

2 de fevereiro de 2016

Vida de Oração



Tendo sido criados à imagem de Deus, somos capazes de estabelecer um relacionamento com Ele, de estarmos em comunhão com Ele.
Jesus rezava a Seu Pai e nos ensinou a fazer o mesmo, dirigindo-nos a Deus como Abba, Pai, meu Paizinho; certos de Sua proteção, seguros, cegamente abandonados ao Seu amor, com aquela força e aquele ardor que nos permitem enfrentar qualquer situação da vida.
Assim como Jesus nos ensinou no “Pai-nosso”: “E não nos deixeis cair em tentação”, Ele nos diz também hoje para cada um de nós: “Orai, para que não entreis em tentação” (Lc 22,46). Por que essa forte advertência de Jesus? Porque, conhecendo a natureza humana, Ele sabe que, uma vez desencadeada a tentação, sendo a “carne fraca”, corremos o risco de ceder.
Estamos imersos no mundo e para onde quer que olhemos teremos dificuldades em sermos fiéis a Nosso Senhor Jesus Cristo. No mundo se respira, por todos os lados, o consumismo, o materialismo, a sensualidade, o roubo, entre inúmeras outras coisas.
Como poderemos nos defender dessas ciladas sempre armadas contra nós e sempre prontas a nos desencorajar? Jesus nos indica o meio por excelência: a oração.
Neste Tempo de Quaresma que iremos iniciar neste mês de fevereiro devemos intensificar mais nossa vida de oração pessoal. É um tempo onde podemos nos fortalecer, ainda mais, porque estaremos unidos intimamente a Jesus. Crescerá em nós então a caridade; e, se cresce a caridade, cresce necessariamente entre nós a realidade de Deus, como diz São João Crisóstomo.
E a realidade de Deus para cada um de nós é a santidade adquirida através de uma vida de oração.
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo e Sua Mãe Maria Santíssima,
César Mauad

Fundador e Coordenador

30 de abril de 2015

O TRABALHO EXPRESSÃO DO AMOR

 A expressão quotidiana deste amor na vida da Família de Nazaré é o trabalho. O texto evangélico especifica o tipo de trabalho, mediante o qual José procurava garantir a sustentação da Família: o trabalho de carpinteiro. Esta simples palavra envolve toda a extensão da vida de José. Para Jesus este período abrange os anos da vida oculta, de que fala o Evangelista, a seguir ao episódio que sucedeu no templo: «Depois, desceu com eles para Nazaré e era-lhes submisso» (Lc 2, 51). Esta «submissão, ou seja, a obediência de Jesus na casa de Nazaré é entendida também como participação no trabalho de José. Aquele que era designado como o «filho do carpinteiro», tinha aprendido o ofício de seu «pai» putativo. Se a Família de Nazaré, na ordem da salvação e da santidade, é exemplo e modelo para as famílias humanas, é-o analogamente também o trabalho de Jesus ao lado de José carpinteiro. Na nossa época, a Igreja pôs em realce isto mesmo, também com a memória litúrgica de São José Operário, fixada no primeiro de maio. O trabalho humano, em particular o trabalho manual, tem no Evangelho uma acentuação especial. Juntamente com a humanidade do Filho de Deus ele foi acolhido no mistério da Incarnação, como também foi redimido de maneira particular. Graças ao seu banco de trabalho, junto do qual exercitava o próprio ofício juntamente com Jesus, José aproximou o trabalho humano do mistério da Redenção.
 No crescimento humano de Jesus «em sabedoria, em estatura e em graça» teve uma parte notável a virtude da laboriosidade, dado que «o trabalho é um bem do homem», que «transforma a natureza» e torna o homem, «em certo sentido, mais homem». 
A importância do trabalho na vida do homem exige que se conheçam e assimilem todos os seus conteúdos, «para ajudar os demais homens a aproximarem-se através dele de Deus, Criador e Redentor, e a participarem nos seus desígnios salvíficos quanto ao homem e quanto ao mundo; e ainda, a aprofundarem na sua vida e amizade com Cristo, tendo, mediante a fé vivida, uma participação no seu tríplice múnus: de Sacerdote, de Profeta e de Rei». 

 Trata-se, em última análise, da santificação da vida quotidiana, no que cada pessoa deve empenhar-se, segundo o próprio estado, e que pode ser proposta apontando para um modelo accessível a todos: São José é o modelo dos humildes, que o Cristianismo enaltece para grandes destinos; ... é a prova de que para ser bons e autênticos seguidores de Cristo não se necessitam «grandes coisas», mas requerem-se somente virtudes comuns, humanas, simples e autênticas». 

                                                                                                           EXORTAÇÃO APOSTÓLICA
                                                                                                                                                                                                                REDEMPTORIS CUSTOS

20 de agosto de 2014

HOMENAGEM AO UM GRANDE SACERDOTE



Um jovem sacerdote tem comovido as redes sociais com uma carta que dirigiu ao Papa Francisco antes de morrer no dia 1º de janeiro, Solenidade de Maria Mãe de Deus, devido a um tumor no coração que fez metástase no fígado e no baço.

O Padre Fabrizio de Michino nasceu em Nápoles no dia 8 de setembro de 1982. Quem o conheceu afirma que o presbítero sempre enfrentou com alegria o sofrimento e que sempre os oferecia pela Igreja e o Santo Padre. O sacerdote faleceu em sua casa, onde sempre foi visto com “um sorriso e uma palavra de consolo para os parentes e amigos que estiveram ao seu lado até o último suspiro”. Quase três mil pessoas se reuniram na cidade de Ponticelli para desperdir-se dele na Basílica de Nossa Senhora das Neves, onde era vigário paroquial.
A seguir, a carta que ele escreveu ao santo padre, publicada em português pelo site Aleteia:

Santo Padre,
nas orações diárias que dirijo a Deus, não deixo de rezar pelo senhor e pelo ministério que Deus lhe confiou, para que Ele possa lhe dar forças e alegria para continuar anunciando a boa nova do Evangelho.
Eu me chamo Fabrizio De Michino e sou um jovem padre da diocese de Nápoles. Tenho 31 anos e há cinco sou sacerdote. Desempenho meu serviço no Seminário Arcebispal de Nápoles como professor de um grupo de diáconos, e em uma paróquia em Ponticelli, que se encontra na periferia de Nápoles. A paróquia, recordando o milagre registrado na colina Esquilino, recebe o nome de Nossa Senhora das Neves.
Ponticelli é um bairro degradado por sua pobreza e alta criminalidade, mas a cada dia descubro verdadeiramente a beleza de ver o que o Senhor realiza nestas pessoas que confiam em Deus e na Virgem.
Também eu, desde que estou nesta paróquia, pude ampliar cada vez mais meu amor pela Mãe Celeste, experimentando também nas dificuldades a sua proximidade e proteção. Infelizmente, há três anos eu luto contra uma doença rara: um tumor no interior do coração. Há um mês estou com metástase no fígado e no baço. Nesses anos difíceis, no entanto, nunca perdi a alegria de ser anunciador do Evangelho. Também no cansaço eu percebo, verdadeiramente, esta força que não vem de mim, mas de Deus, que me permite desempenhar com simplicidade o meu ministério. Há uma citação bíblica que tem me acompanhado e me enche de confiança na força do Senhor: “Dar-vos-ei um coração novo e em vós porei um espírito novo; tirar-vos-ei do peito o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne” (Ez 36, 26).
Neste tempo tem sido muito próxima a presença do meu bispo, o cardeal Crescenzio Sepe, que me apoia constantemente, ainda que às vezes me peça para descansar, para que eu não me sobrecarregue.
Agradeço a Deus também por meus familiares e meus amigos sacerdotes que me ajudam e apoiam, sobretudo quando faço as diferentes terapias, compartilhando comigo os momentos de inevitável sofrimento. Também os meus médicos me apoiam muito e fazem o impossível para encontrar os tratamentos adequados para mim.
Santo Padre, estou me alongando muito, mas só quero dizer que ofereço a Deus tudo isso, pelo bem da Igreja e pelo senhor de um modo especial, para que Deus o abençoe sempre e o acompanhe neste ministério de serviço e amor.
Eu lhe rogo que reze por mim: o que peço todos os dias ao Senhor é que seja feita a Sua vontade, sempre e em todas as partes. Não peço a Deus a minha cura, mas a força e a alegria de continuar sendo um verdadeiro testemunho de Seu amor e um sacerdote segundo o Seu coração.
Seguro de suas orações paternas, o saúdo devotamente.
Padre Fabrizio De Michino

Fontes: www.aleteia.org/pt/religiao/noticias/um-padre-escreve-ao-papa-antes-de-morrer-aos-31-anos-leia-aqui-a-carta-5823678897979392


 www.ncy.com/video/il-ricordo-di-don-fabrizio-de-michino/146497259/-/5-4479020




Ó Jesus, Vós quisestes fazer depender das orações dos fiéis as vocações sacerdotais, religiosas e missionárias, e ordenastes que todos pedissem ao PAI, operários para vossa vinha; ouvi as orações que agora Vos dirigimos.

Misericordiosíssimo Salvador do Mundo, que pelo sacerdócio, vos dignastes associar os homens à vossa divina missão, tende piedade das paróquias sem padres e olhai para tantos  sacrários vazios, os sacramentos e mandamentos desconhecidos, as crianças sem catecismo, os jovens sem guia, as famílias sem conselheiros, os pecadores sem o perdão, os fracos sem a Eucaristia, os noivos sem quem lhes abençoe a união, a palavra de Deus sem pregadores e vossas igrejas abandonadas.

Aceitai, ó Jesus, nossas preces cheias de confiança, e despertai nas crianças e nos jovens o desejo ardente de Vos servir no sacerdócio, na vida religiosa e nas santas missões. Concedei à santa Igreja muitos zelosos e santos sacerdotes para a vossa glória, para nossa alegria e salvação. Amém.

fotos:Google



14 de agosto de 2013

Somos vocacionados a cumprir os Mandamentos de Deus



    A  fé prova-se com obras. “Sim, creio na Democracia, creio que um governo constitucional de cidadãos livres é o melhor possível”: alguém que dissesse isto e ao mesmo tempo não votasse, nem pagasse seus impostos, nem respeitasse as leis do seu país, ficaria em evidência pelas suas próprias ações, que o condenaria como mentiroso e hipócrita.
     É igualmente evidente que qualquer pessoa que manifeste crer nas verdades reveladas por Deus e não se empenhe em observar as Suas Leis, será absolutamente insincera. É muito fácil dizer “creio”; mas as nossas obras devem ser a prova irrefutável da nossa fé. “Nem todo, o que Me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino de Meu Pai que está nos Céus” (Mt 7,21). Não se pode dizê-lo mais claramente: se cremos em Deus, temos que fazer o Ele nos pede: guardar os Seus Mandamentos.
    Convençamo-nos de uma vez, que a Lei de Deus não se compõe de arbitrários ‘faça isto’ e ‘não faça aquilo’, com o objetivo de nos aborrecer. É verdade que a Lei de Deus põe à prova a fortaleza de nossa fibra moral, mas não é esse o seu objetivo primordial. Deus não é um ser caprichoso. Não estabeleceu os Seus Mandamentos como quem coloca obstáculos numa corrida. Muito pelo contrário, a Lei de Deus é a expressão do Seu amor e Sabedoria infinitos. Quando adquirimos um aparelho doméstico, seja qual for, se temos senso comum, utilizá-lo-emos segundo as  instruções de seu fabricante. Consideremos logicamente que quem o fez,  sabe melhor que nós, como usá-lo para que funcione e dure. Da mesma forma, se temos senso comum, cofiaremos que Deus conhece muito melhor que nós o que é mais apropriado à nossa felicidade pessoal e universal. Poderíamos dizer que a Lei de Deus, é simplesmente um folheto de instrução que acompanha o nobre produto de Deus , que é o homem. Mais estritamente, diremos que a Lei de Deus é a expressão da Divina Sabedoria dirigida ao homem, para que este alcance o seu fim e a sua perfeição.
   A Lei de Deus orienta ‘o uso’ que o  homem há de fazer de si mesmo, tanto nas suas relações com Deus, como com o próximo. Este é o fim de nossa existência. Nisto encontraremos nossa felicidade!
E Jesus nos dá as instruções para conseguirmos essa felicidade com simplicidade absoluta: “Se: Me amais, observareis os Meus Mandamentos” (Jo 14,15).
    Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Mãe Maria Santíssima
César Mauad
Fundador e Coordenador – Fonte Consulta: “A Fé explicada”,  de Leo Trese.

Vocação à Vida



“Quando se fala em vocação, vem logo ao pensamento a ideia de vocação religiosa ou sacerdotal. Mas o termo é muito mais abrangente. No seu sentido específicamente religioso, a vocação é uma história de amor, uma história que se abre num leque de inúmeras outras vocações diferenciadas, que por sua vez são outros tantos poemas do amor de Deus para com a sua criatura, o homem. A começar pela vocação à vida.
    “O Senhor Deus formou o homem do barro da Terra, e inspirou-lhe no rosto um sopro de vida, e o homem  se tornou um ser vivente” (Gen 2,7).
     Tendo chamado o homem à vida, “o Senhor Deus disse: Não é bom que o homem esteja só; vou lhe dar uma auxiliar que lhe seja semelhante “. E de uma costela, porque foi  tirada do homem, Deus fez a mulher, e levou-a para junto do homem” – (Gen. 2, 18-22).
    Esse foi o primeiro casal humano chamado à vida, por amor e para o amor. E Adão disse: “Eis agora aqui o osso dos meus ossos e a carne da minha carne da minha; ela se chamará  mulher , porque foi tirada do homem”. Por  isso o homem deixará o seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher, e serão os dois uma só carne” (Gen. 2,23-24).
    Esta foi a primeira vocação ao casamento, tipo e modelo de todos os matrimônios que seguirão daí por diante. E deu-lhes a missão de povoar a Terra: “Crescei e multiplicai-vos, e enchei a terra e submetei-a”( Gen. 1,28).
    Que missão maravilhosa Deus confiou ao homem! E quantas  provas de amor o Senhor lhe deu! Que carinho! Que delicadeza! Vejam: “O Senhor Deus plantou um jardim no Éden, do lado do oriente, e colocou nele o homem que havia criado” (Gen. 1,8). Adão e Eva eram felizes, plenamente felizes, gozando da amizade e intimidade do seu Criador. Quantas vezes à hora da brisa da tarde, ouviam  o barulho dos passos de Deus no meio das árvores do jardim, vindo para uns momentos de intimidade e colóquio amoroso com eles. E foi justamente numa dessas oportunidades que aconteceu o que não devia acontecer. O Senhor, viera, como de costume, mas desta vez não houve colóquio amoroso com eles. Sua criatura amada tinha prevaricado.
    De fato, ao colocar o homem no jardim do Éden, para cultivá-lo e guardá-lo, o Senhor Deus lhe dera este preceito: “Podes comer do fruto de todas as árvores do jardim; mas não coma do fruto da árvore da ciência do bem e do mal (que está no meio do jardim); porque no dia em que dele comeres, morrerás indubitavelmente”. (Gen. 2,15). Era  uma prova a que devia ser submetido.
    Mas o homem pecou; foi infiel à sua vocação e missão. Que ingratidão à sua vocação e missão. Que ingratidão! Sobretudo, que mistério terrível é o pecado! Como pode o homem, ornado de tanta luz e sabedoria no seu estado de graça original, cair assim tão miseravelmente nas malhas do Maligno? Há verdadeiramente um mistério de iniquidade.
    O homem fora criado para ser feliz, para gerar filhos e filhas no jardim do Éden, em clima de obediência e fidelidade, de amor de gratidão ao seu Criador. O seu destino seria muito glorioso. Eles ignorariam o que era morte, sofrimento, doença... Deus, na pessoa de Seu Verbo, por ação do Espírito Santo, viria assumir a sua criatura num desposório místico, encarnando-se e assemelhando-se a ela, como ela mesma fora feita à imagem e semelhança Dele.
    Mas Deus que sabe e pode transformar o mal em bem, serviu-se do incidente para renovar os Seus planos: uma nova criação, muito mais maravilhosa do que a primeira, surgiria de Suas mãos e de Seu Amor, um novo Adão e uma nova Eva viriam recomeçar tudo; um novo Céu uma nova Terra seriam criados, nos quais habitaria a justiça. Em vista do pecado,  todo esse processo já não se faria na glória do primitivo plano, mas custaria o preço do sangue do Filho de Deus.”
Fonte: artigo Pe Valeriano
   

20 de julho de 2013

Evangélio do 16° Domingo do Tempo Comum


O episódio é algo surpreendente. Os discípulos que acompanham a Jesus desapareceram da cena. Lázaro, o irmão da Marta e Maria, está ausente. Na casa da pequena aldeia de Betânia, Jesus se encontra a sós com duas mulheres que adotam ante sua chegada duas atitudes diferentes.
Jesus, para nos fazer entender melhor a sua mensagem, gosta de colocar atitudes contrapostas. Fez-lo no domingo anterior contrapondo a atitude do bom samaritano com aquela do sacerdote e do levita. Agora contrapõe a Maria e a Marta. Marta aparece como a anfitriã perfeita. Maria, como modelo perfeito de discípulo. Jesus reprova com a maior delicadeza o excessivo desassossego da Marta, enquanto que elogia decididamente a atitude serena de Maria. A elaboração deste episódio é muito sutil.
Marta, que sem dúvida é a irmã maior, acolhe Jesus como dona de casa, e fica totalmente a seu serviço. É natural. Segundo a mentalidade da época, a dedicação às tarefas do lar era tarefa exclusiva da mulher. Maria, pelo contrário, a irmã mais jovem, senta-se aos pés de Jesus para escutar sua palavra. Sua atitude é surpreendente pois está ocupando o lugar próprio de um “discípulo” que somente correspondia aos varões.
Em um momento determinado, Marta, absorvida pelo trabalho e transbordada pelo cansaço, sente-se abandonada por sua irmã e incompreendida por Jesus: “Senhor, não te importa que minha irmã me deixe sozinha com o serviço? Manda que me ajude com o serviço”. Por que não mandas a minha irmã que se dedique às tarefas próprias de toda mulher e deixe de ocupar o lugar reservado aos discípulos varões?
Marta se queixa com Jesus da aparente despreocupação de sua irmã. Surpreendentemente Jesus fica de parte de Maria e diz a Marta, quando precisamente esta lhe está preparando seguramente uma boa comida, que em realidade só devia preocupar-se de uma só coisa. Em um primeiro momento parece que Jesus, pretende unicamente acalmar o nervosismo de Marta, quer lhe dizer que basta que prepare um só prato. Mas se lermos o texto com mais profundidade, advertimos claramente uma mais rica intencionalidade. “Essa coisa” que ocupa a Maria é qualificada por Jesus como “a melhor parte”, e, se por acaso isso fora pouco, Jesus afirma que ”isso ninguém vai tirar dela”.
Para Jesus tem absoluta prioridade o que Deus nos diz e nos quer dizer. Marta queria agasalhar Jesus com um bom banquete. Mas o Mestre lhe lembra que é imensamente mais saboroso o banquete da palavra que Ele oferece à gostosa comida com a que ela queria lhe obsequiar. Para Jesus, a escuta da palavra é a atitude mais nobre do homem. Uma vida desentendida que não presta nenhum ouvido à palavra divina, caminha por caminhos perdidos e carece de sentido profundo.
A resposta de Jesus é de grande importância. São Lucas a redige pensando provavelmente nas desavenças e pequenos conflitos que se produzem nas primeiras comunidades na hora de fixar as diversas tarefas: “Marta, Marta, andas inquieta e nervosa com tantas coisas; porém uma só é necessária. Maria escolheu a parte melhor, e não lhe será tirada”.
Vejamos que em nenhum momento Jesus critica a Marta sua atitude de serviço, tarefa fundamental em todo seguimento de Jesus, mas a convida a não deixar-se absorver por seu trabalho até o ponto de perder a paz. E lembra que a escuta de sua Palavra tem que ser algo prioritário para todos, também para as mulheres, e não uma espécie de privilégio dos varões, na mentalidade daquela época.

De todas formas, fica flutuando em nossa memória a frase de Jesus que inspirou a tantos crentes que nos precederam pelos caminhos da história cristã:

• “Marta, Marta, andas inquieta e agitada com tantas coisas: porém uma só é necessária”. É esta uma observação importante para a Igreja, tantas vezes empenhada em multiplicar sua atividade. Mas é igualmente interpelante para uma sociedade que se vê arrastada pelas ocupações e preocupações terrenas e esquece pensar no sentido das mesmas.
• “Maria escolheu a melhor parte, e não lhe será arrebatada”. Também esta profecia interpela à Igreja, chamada a escutar com atenção a palavra de seu Senhor. E é uma provocação para uma sociedade que despreza a religiosidade e piedade dos crentes, e caçoa dela tanto nas leis como nos meios de comunicação social.

Ao longo da vida, quantas vezes nos repetiram que Maria elegeu a melhor parte! Alguns pareciam desfrutar em deixar em ridículo a sua irmã Marta. Por isso resulta assombroso o comentário que deixa cair Santa Teresa de Jesus na Sétima Morada. Até elogiando a contemplação, Teresa nos diz que Marta e Maria devem andar juntas para hospedar ao Senhor e para lhe ter sempre consigo e não lhe dar uma má hospedagem.
“Reza e trabalha”. O lema beneditino ressonou na Igreja ao longo de muitos séculos. Pode-se pecar pela moleza e o abandono de qualquer dos dois aspectos de uma mesma vocação. Orar sem trabalhar e trabalhar sem orar são tentações contra a mesma virtude da esperança. Tudo na vida é dom de Deus. Mas o dom divino requer uma resposta humana, laboriosa, responsável e comprometida.
Pe Rafael Viscaíno LC

16 de julho de 2013

Viva o Preciosíssimo Sangue de Jesus



 Passamos o mês de maio dentro do Coração Imaculado de nossa Mãe Santíssima, e mergulhamos no mês de junho, no Sacratíssimo Coração de Seu Filho Jesus. E o artigo do mês passado afirmava: “Um Coração vivo com células pulsantes.” Pois é, e o melhor é que estas riquezas não param; são incontáveis. Melhor ainda é que neste mês de julho poderemos nos inebriar das graças do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.
     Santo Afonso Maria de Ligório disse: “O Verbo Eterno que nos queria totalmente dedicados a Ele, tomou um Coração semelhante ao nosso, um Coração que pudesse fornecer às suas veias o Sangue com o qual deveria nos resgatar. Ele não operou nossa Redenção ao preço de ouro e prata, (I Pd 1,18) disse o Príncipe dos Apóstolos, mas ao preço de Seu Sangue que de valor infinito”.
    A Igreja do Santo sepulcro de Neuvy, na França, possui desde 1257, duas gotas do Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, recolhidas no dia de Sua Paixão no Calvário. Elas se encontram guardadas em um relicário mostrado na figura ao lado, tendo a forma de duas lágrimas coaguladas. Este Sangue Divino puro e sem mistura de água nem de terra é, com certeza, a mais preciosa relíquia do mundo.
    Deus que quer a salvação de todos os seus filhos (cf. I Tim 2,4) enviou Seu Filho em um corpo semelhante ao nosso para resgatar toda a humanidade.
     Jesus Cristo nos disse através do Evangelho de São João (cf. Jo 15,13) que “prova de amor maior não há que dar a vida pelo irmão”, e Ele, o próprio Criador de tudo, com Seu exemplo, fez valer estas palavras e resgatou a todos; pessoas de bem ou não, justos ou pecadores. A Sua morte é a nossa vida, e o preço de nossa libertação não foi baixo não, pois foi o Preciosíssimo Sangue de Jesus derramado na Cruz, e este Dom do Seu Sangue é a maior prova de amor que Jesus poderia ter dado, e nos deu.
    São Tomás de Aquino nos diz que bastaria uma única gota deste Sangue para resgatar o mundo, por causa dos méritos infinitos que Lhe conferia a união da Pessoa Divina do Verbo. E, no entanto, não foi somente uma gota derramada. Foi um rio que regou a terra desde o Jardim das Oliveiras (Getsêmani) passando pela Sua flagelação, sua Via Crucis até chegar ao Gólgota, onde transbordou até a última gota do Seu Sagrado Coração, aberto pela lança do soldado, para nos mostrar o ardor de Seu infinito Amor.
    Jesus quis que, pela chaga visível, conhecêssemos a chaga invisível, que o Amor Lhe fez. Quis que, o Seu Coração fosse aberto para pudéssemos penetrar n’Ele sem obstáculo algum e encontrar asilo e refúgio.
    “Ó Doce Chaga! Amável ferida do Salvador!” diz São Boaventura. Este Coração aberto para nós nunca mais se fechará. Que tesouro maravilhoso!
    Sobe a Tua voz ao Trono dos Céus pedindo compaixão e misericórdia a Deus ao ouvir Sua voz se enternece, aplaca Sua justiça e não nos olha senão com Amor. A Sua Morte dá a vida, as Suas Chagas curam e o Seu Preciosíssimo Sangue redime as almas!
    Que fecundo manancial de graças é o Vosso Sangue, que jorrado por nós prefigura todos aqueles favores de Misericórdia e de Amor Divinos! Busquemos pois, no Preciosíssimo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, os socorros de que precisamos: força para nossa fraqueza, luz para nossa cegueira, consolo para nossas aflições.
    Você pergunta: como buscá-lo?
    Meu irmão, é o Sangue do Coração de Jesus que ainda corre todos os dias no Cálice dos Altares e que dá a vida da graça. É sim, o Vinho Sagrado que regozija as almas, é verdadeiramente o Sangue de Jesus, que ao nos aproximarmos da Sagrada Mesa tingi-nos os lábios e circula pelas nossas veias. E como diz a santa oração do Missal Romano: “Sangue de Cristo inebriai-me”, inebriai-me do Vosso Amor. Vinde todos encontrar a fonte e o oceano infinito de Misericórdia. Vinde vós, filho que retorna (cf. Luc 15,20), vinde ao encontro marcado por Deus no Coração aberto de Seu Filho para receber novamente um abraço de Pai. Vinde pelo caminho vivo pelo qual, graças ao Seu Sangue, podemos entrar confiantes ao Santo dos Santos e chegar à presença de Deus (Hb 10,19-20).
     Que os Santos Anjos, espíritos puríssimos, símbolos da Luz divina, possam nos ajudar a colher cada gota deste Preciosíssimo Sangue, e assim, como disse São Paulo (cf. Col 1,24), completar em nós o que falta à Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo para o bem da Igreja e a Salvação do mundo.
Luiz Fernando Valadão