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25 de novembro de 2014

A Beleza do Advento
“Eu sou a luz do mundo;  aquele que me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida”.
(Evangelho de São João 8, 12)
A palavra "Advento" quer dizer "que está para vir".

O tempo do Advento é para toda a Igreja, a vivência do mistério de espera e preparação da vinda de CRISTO.
Este tempo é divido em quatro semanas. Usa-se a chamada “Coroa do Advento”, com 4 velas, 3 roxas e uma rosa.
Elas simbolizam, cada uma delas, uma das quatro semanas do Advento. No início, vemos nossa coroa sem luz e sem brilho. Nos recorda a experiência de escuridão do pecado. A medida em que se vai aproximando o Natal, vamos ao passo das semanas do Advento, acendendo uma a uma as quatro velas representando assim a chegada, em meio de nós, do SENHOR JESUS, Luz do mundo, Quem dissipa toda escuridão, trazendo aos nossos corações a reconciliação tão esperada.
* A primeira vela lembra o perdão concedido a Adão e Eva.
* A segunda simboliza a fé de Abraão e dos outros Patriarcas, a quem foi anunciada a Terra Prometida.
* A terceira lembra a alegria do rei Davi que recebeu de DEUS a promessa de uma aliança eterna.
* A quarta recorda os Profetas que anunciaram a chegada do SALVADOR.
Geralmente a cor das velas segue as cores litúrgicas, sendo assim, a cor roxa é usada no primeiro, segundo e quarto domingos do Advento, simbolizando a conversão e penitência; e a cor rosa no terceiro domingo (chamado Gaudete) simbolizando a alegria em meio à expectativa da chegada de JESUS.
. : Advento: uma chamada para estarmos vigilantes : .
Vigiar significa estar atentos, sair ao encontro do SENHOR, que quer entrar, este ano mais que o passado, em nossa existência, para dar-lhe sentido total e salvar-nos. Acendemos a primeira vela (roxa) como aqueles que acendem suas lâmpadas para sair, na noite, ao encontro do amigo que vem.
Oh! SENHOR, queremos levantar-nos para esperar-Te preparados, para receber-Te com alegria. Queremos estar despertos e vigilantes, porque Tu trazes a luz mais clara, a paz mais profunda e a alegria mais verdadeira.  Vem, SENHOR JESUS!
. : Advento: um tempo de esperança : .
”Nós, porém, segundo sua promessa, esperamos novos céus e uma nova terra, nos quais habitará a justiça. Portanto, caríssimos, esperando estas coisas, esforçai-vos em ser por ele achados sem mácula e irrepreensíveis na paz”. (II Carta de São Pedro 3, 13-14)
Os profetas mantinham acesa a esperança de Israel. Nós, como um símbolo, na segunda semana, acendemos a segunda vela (roxa). O velho tronco está rebrotando; estremece-se porque DEUS Se semeou em nossa carne... Que cada um de nós, SENHOR, Te abra sua vida para que brotes, para que floreças, para que nasças e mantenhas em nosso coração acesa a esperança. Vem rápido, SENHOR! Vem, Salvador!
. : Advento: um tempo de alegria : .
”O DEUS da paz vos conceda santidade perfeita. Que todo o vosso ser, espírito, alma e corpo, seja conservado irrepreensível para a vinda de nosso SENHOR JESUS CRISTO”. (I Tessalonicenses 5, 23 )
Nas trevas se acenderá uma luz, no deserto clamou uma voz. Se anuncia a boa notícia: O SENHOR  vai chegar! Preparem seus caminhos, porque já se aproxima! Adornem suas almas como uma noiva se enfeita no dia de seu casamento.
Oh! SENHOR, quando acendemos a terceira vela (rosa), cada um de nós quer ser  uma tocha Tua para que brilhes, uma chama para que esquentes. Vem, SENHOR, salvar-nos, envolva-nos em Tua luz, esquenta-nos em Teu amor!
. : Advento é bênção : .
"Comportemo-nos honestamente, como em pleno dia: nada de orgias, nada de bebedeira; nada de desonestidades nem dissoluções; nada de contendas, nada de ciúmes. Ao contrário, revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não façais caso da carne nem lhe satisfaçais aos apetites". (Romanos 13,13-14).
"Estando eles ali, completaram-se os dias dela. E deu à luz seu Filho Primogênito, e, envolvendo-O em faixas, reclinou-O num presépio; porque não havia lugar para eles na hospedaria“. (São Lucas 2,6-7 )
A Virgem e São José, com sua fé, esperança e caridade saem vitoriosos na prova. Não existe qualquer rejeição, nem frio nem trevas ou desconforto, que lhes possa separar do amor de CRISTO que nasceu.

Eles são os abençoados por DEUS para receber. DEUS não encontrou lugar melhor do que a manjedoura, porque ali estava o amor imaculado que O recebeu. Unimo-nos à Virgem Maria e São José com um sincero desejo de renunciar a tudo que impede que JESUS nasça em nosso coração.

22 de dezembro de 2012

Quarto Domingo do Advento




 DITOSA ÉS TU QUE ACREDITASTE
Estamos culminando o tempo de Advento. Sublinhemos uma vez mais a importância deste tempo como a vinda muito real de Cristo à nossas vidas. Cristo que veio ontem historicamente ao mundo vem agora misteriosamente, com seu Espírito Santo que transforma e  vivifica nossas vidas pessoais antecipando nelas sua vida gloriosa. O clamor duro e severo do Batista nos foi convidando na liturgia a preparar o caminho ao Senhor, ao arrependimento e conversão, à austeridade como expressão de confiança e abandono em Deus, e ao deserto como lugar do encontro com Deus. Agora é a figura da Maria a que vai aparecendo em cena para transladar o acento ao gozo e à alegria ante a iminente vinda do Senhor. Ela evoca a surpreendente iniciativa de Deus que se faz presente na história e vai conduzindo a seu término e revela também a intensa alegria de quantos o acolhem.
A VISITAÇÃO DA MARIA: O evangelho nos fala da visitação da Maria a sua prima Isabel. Trata-se de uma narração fluída e de ritmo rápido. Maria, induzida pelo sucesso da anunciação, empreende uma apressada viagem a casa de uns dos seus familiares que vivem em uma aldeia da serrania da Judéia. Maria já sabe que Isabel, apesar de sua avançada idade, está em período de gestação, porque o mensageiro celeste acaba de comunicar-lhe e por isso vai visitar-la. Quando cumprimentarem-se com júbilo as duas mulheres, a anciã experimenta uma sacudida em seu interior. O menino começa a alvoroçar-se e a dar pulos no seu ventre. Então Isabel, movida pelo Espírito Santo, compreende que Maria leva no seu seio ao Senhor. Um sinal divino revela as duas as mães a maternidade da outra. Isabel benze a Maria e a proclama “ditosa”, bem-aventurada por dois grandes motivos: ser mãe do Senhor e ser a grande crente. Maria responderá com o cântico do Magníficat no qual elogia a Deus por sua prodigiosa intervenção encarnando nela seu próprio Filho.
MARIA E ISABEL OU A SUPERAÇÃO DO LIMITE HUMANO: A cena da visitação de María a Santa Isabel põe em primeiro plano a grandeza do amor poderoso de Deus que toma uma iniciativa que afeta profundamente a María e Isabel e também à humanidade inteira. O anjo surpreende a Maria e lhe anuncia o mistério da encarnação de Deus na sua própria entranha. Ela vai ser mãe de Deus. Jamais poderia ter suspeitado um fato tão extraordinário. Trata-se de um sucesso que afeta profundamente ao mesmo Deus que se faz imensamente próximo do homem e que vai afetar intensamente também ao homem, pois rompe o limite de sua finitude e lhe aproxima de Deus assemelhando-o a ele. É ser o homem autêntico parente com Deus. Deus, descendo, se faz homem e o homem sobe na escala do ser e se faz divino. Deus, por falar assim, rompe sua própria fronteira e, ao descer, rompe o limite do ser humano, as leis limitadoras da natureza e da condição do homem, pois é com seu poder, e não por colaboração humana, que fecunda em Maria o humano com o divino, e faz fecunda também em Isabel sua esterilidade manifesta.
RECEBER A DEUS É COMPARTILHÁ-LO COM O PRÓXIMO: Maria recebe o anúncio da encarnação do Filho de Deus e imediatamente se apressa para visitar a Isabel. Ela vai porque o anjo lhe revelou que também Isabel foi visitada pela misericórdia divina. Mas vai, sobre tudo, porque sua alma está alvoroçada de gozo e precisa compartilhá-lo. Assim é Deus. Deus é sempre bondade na pequenez humana. É sempre grande e transbordante. Quem tem a Deus o comunica porque precisa expressar sua sorte, elogiar, compartilhar, fazer alegres e ditosos aos outros. A luz ilumina sempre. A alegria estala sempre e precisa ser comunicada. A cena de Nazaré e a da casa da Isabel representam um estalo de júbilo, de regozijo e de louvor. É o gozo do Espírito, quer dizer, da sorte que acontece no interior, nas vísceras. Em Maria é bendito o fruto de seu ventre e ela mesma é declarada ditosa porque acreditou. O menino João dá saltos de júbilo já no ventre de sua mãe. Maria se declara também ditosa e bendita por todas as gerações como conseqüência de que nela Deus fez coisas grandes. Na encarnação de Deus fica afetada divinamente a criação e a bem-aventurança do céu visita a terra. Deus é alegria e todos os que o acolhem são alegres. Na história, as alegrias profundas sempre terão a mesma e única fonte: Deus e a proximidade de Deus.
BEM-AVENTURADO QUEM ACREDITA E PORQUE ACREDITA: Talvez o maior elogio da história é aquele que Isabel dirigiu a María: “Ditosa tu porque acreditaste”. A fé e receptividade de María atraíram a Deus ao mundo. Nossa humanidade vive cheia de prejuízos sobre a fé. Isso é devido a muitas causas.
Mas o certo é que o homem nasce para viver da fé, acreditar e acreditar é o sentimento e atitude que dá sentido à vida. Ter alguém em quem confiar, em quem apoiar-se, sentir-se acolhido, viver em sintonia e segurança, está no mais profundo das necessidades e sonhos do homem. Sem confiança não há relações ditosas, nem amizade, nem matrimônio, nem sociabilidade. A fé afeta ao sentido da vida, à identidade profunda, ao exercício da liberdade, ao destino intermédio e último. A fé é sempre a experiência do que nos precede e supera. Gera sempre estabilidade e confiança nos momentos mais negativos da existência. Oferece-nos pistas não só para saber como sou, mas também quem sou e para que sou. O homem vive uma impressão forte de um desejo e capacidade que lhe supera e lhe transcende como promessa e esperança.
A fé rompe o teto da finitude do homem e lhe transporta ao gozo e alegria de sentir-se eleito e amado, à presença de um além de si mesmo que lhe espera como dom e destino final e lhe beatifiquem. Por cima dos desejos que o homem tem, está o desejo que o homem é e que lhe confere uma experiência profunda. O homem tem sempre mais capacidade de desejar e desejar que de sentir-se pleno e satisfeito. Sente que é mais do que é e experimenta, que não é capaz por si só de adequar-se consigo mesmo, de dar-se ele mesmo tudo o que necessita. Sente-se sempre em indigência, mas sendo sempre como um mendigo de luxo que só se aquieta com o absoluto e infinito, com Deus.
Todo homem necessita repetir na sua vida o acontecido em Nazaré, um anúncio que tire dele o aborrecimento e trivialidade da sua existência. E isto é o que nos oferece a fé do evangelho. María é tipo e modelo do que nos acontece se acreditamos e na medida em que creiamos. A fé nos abre para a mais profunda realidade e nos brinda aquilo mesmo que nos ultrapassa. Aprendamos com a María a dizer: “Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo Vossa Palavra”.
Pe Rafael Viscaíno LC
 

5 de dezembro de 2012

A Espera na Fé




O santo padre, papa Bento XVI, iniciou sua Carta Apostólica “Porta Fidei” afirmando que “a porta da fé está sempre aberta para nós”!
Estamos entrando no período que antecede o Natal; que não é ainda o momento das festas, mas de preparação e vigilância; e mais do que nunca, neste “Ano da Fé”, um tempo que nos convida a entrar pelas portas deste mistério: a espera na fé.
Para o cristão, o Ano Novo inicia-se no Primeiro Domingo do Advento, e no decorrer das semanas somos conduzidos ao encontro com o Emanuel. O Salvador que desce até nós e Se faz um de nós... mas para quê? Não para se prender conosco nos horizontes deste mundo, mas para elevar-nos, conduzir-nos para o alto!
É por isso que advento significa a espera por algo ou alguém importante que está para chegar! Assim, não só nos aponta para a vinda de Jesus Menino no Natal, mas também para a segunda vinda de Cristo, Glorioso, que virá rodeado de Seus Anjos; é o que vemos no Primeiro Domingo do Advento. Interessante como a Santa Igreja preparou os textos para cada domingo formando-nos neste caminho de fé.
No segundo domingo, é nos mostrada a figura de São João Batista, que nos alerta para termos atitudes firmes de penitência e conversão. E com a alegria do perdão, abre-se a terceira semana proclamando: “Alegrai-vos!” É o domingo da alegria: Gaudete; porque nos anuncia a proximidade da chegada do Senhor. E por fim, conclui-se este período preparatório com a doce presença da Virgem, modelo vivo de fé. Ninguém melhor do que Maria para ensinar-nos e preparar-nos para a chegada de seu filho Jesus.
Devemos ter consciência de que esta espera não pode ser apenas ritual, pois tudo na vida cristã tem um sentido bem profundo! Deus ao vir até nós, abriu-nos novamente a porta que o pecado havia fechado. Ele Se rebaixou até nós, nos tocou. Cabe-nos agora responder, abrindo nossa porta a Ele, com a adesão à Sua proposta.
São Paulo escreveu que “a fé deve operar pela caridade” (Gal 5, 6b), e São Tiago que “sem obras ela é morta” (Tg 2, 17); portanto a fé está ligada ao assentimento do intelecto e da vontade. Ela não é algo subjetivo, mas bem concreto, e somos nós que decidimos, se aceitamos ou não!Abrir a porta à Cristo, esperando na fé, é preparar nossa casa, nossa família, nosso coração, nossa vida para a chegada de Alguém muito importante que quer morar conosco e conduzir-nos com Ele para um lugar muito melhor, e que Ele já preparou para nós!
Se ficarmos só no exterior das festas, comidas e presentes, deixaremos passar pela nossa porta o Cristo que veio humilde e simples, como uma criança, e não O conseguiremos identificar. E passadas as festividades, as preocupações sofrimentos do dia a dia nos serão muito pesadas. É preciso que o encontro com Jesus Menino no Natal realmente produza no mais profundo do nosso ser a certeza de que não estamos sozinhos nem abandonados, mas há Alguém que cuida de nós, que nos ama, em Quem podemos confiar com segurança. É preciso apoiarmos nEle. Para isso é imprescindível que a preparação para a Sua vinda também seja bem feita, através dos Sacramentos, em especial a confissão e a Eucaristia, mas também uma vida de oração verdadeira.
Assim, a espera na fé, será fonte de alegria, como nos afirma São Pedro: “Isto é motivo de alegria para vós, embora seja necessário que agora fiqueis por algum tempo aflitos, por causa de várias provações. Deste modo, a vossa fé será provada como sendo verdadeira  mais preciosa que o ouro perecível, que é provado no fogo  e alcançará louvor, honra e glória, no dia da manifestação de Jesus Cristo. Sem ter visto o Senhor, vós o amais. Sem O ver ainda, nEle acreditais. Isso será para vós fonte de alegria indizível e gloriosa, pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação” (I Pd 1, 6-9).
Rachel Maria de Carvalho M. Neves.